terça-feira, 21 de outubro de 2008

< ENTREVISTA COM DIEGO GRECCHI >



Paulista radicado no Ceará a sete anos, Diego Grecchi é hoje um dos Dj’s mais ativos da cena Trance local. Tocando sozinho ou em parceria com Aminad no projeto Groove Machines, o jovem atualmente com 22 anos que iniciou sua caminhada de forma despretensiosa, hoje firma-se após muitas batalhas, confusões, intrigas e apresentações como um dos expoentes do Trance no norte/nordeste.

O apasseio teve a oportunidade de entrevistar essa figura, que nos recebeu em casa e conversou sobre sua história, suas impressões, achismos,bastidores...Espero que se amarrem no papo..
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P > Diego, você começou seu trabalho como Dj tocando em privês e pesquisando sobre Tecno , hoje sua carreira tomou outras direções e proporções, com você recepciona essa evolução?

D.G > Foi com muita ralação e muito gradual também, não foi nada de uma hora pra outra. Primeiro eu comecei tocando Techno sem o intuito que ser dj viesse a se tornar minha profissão, a principio a minha intenção era que fosse só um hobby, só que daí eu comecei a me destacar muito rápido, a pegar um público muito rápido e comecei a ver que aquilo tinha um futuro pra mim, que era minha praia mesmo. O que eu realmnte gostava de fazer. Daí comecei a investir, comprar discos, comprar mais discos, na época eu gastava muito dinheiro viu, tocava só de Vinil e os discos eram todos vindos da Inglaterra.

Ai chegou um hora que o Techno aqui afundou e eu não queria afundar junto né, eu gostava de estar tocando nas festas, já tava vivendo disso, tinha até parado de estudar pra viver disso, daí tive que procurar outros caminhos pra continuar né, tipo assim, o navio está afundando você não via afundar junto com ele. Mas assim, eu jamais iria mudar de estilo se eu não gostasse do outro estilo, eu nunca tive aversão a trance, não era minha preferência, não vou dizer que era, porque não era, mas eu também nunca deixei de curtir. Quando o Tecno começou a cair foi a época em que eu também comecei a pesquisar mais sobre Trance e comecei a achar coisas que me agradaram tanto quanto o Tecno. Resolvi mudar de estilo e pra mim foi perfeito, porque deu um up na minha carreira.

P > Você foi um dos primeiros Dj’s de trance da cena local a investir em trabalho autoral...

D.G
> Depois que me estabilizei como Dj de Trance, já tinha bastante público, eu resolvi fazer um projeto junto com o Aminad, que é o Groove Machines. A gente começou praticamente na mesma época do Hypnotic Device, então se pode dizer que fomos os primeiros, juntos com eles... Eles lançaram o projeto em julho do ano passado e a gente em agosto, foi uma diferença pouca. Foi muito importante, porque quando comecei o projeto foi que comecei a tocar mais fora.

A gente toca sempre em Teresina, já tocou em Natal, em São Luís algumas vezes, tocamos em Recife agora. Inclusive as festas lá em Recife são tão bombadas quanto ás daqui... Pra mim tudo isso é muito importante e a gente pretende crescer mais ainda, quem sabe tocar nas festas do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro.

P > Hoje realmente a sua profissão é ser Dj?

D.G
> não só Dj, eu posso dizer que vivo da música eletrônica, porque se eu só tocasse não conseguir viver bem. Além de tocar produzo os Lives... falei, os Lives, porque além do Groove Machines, eu vou lançar agora na Liquid Sky um outro live, o Disturbed. Um projeto junto com o Braz, que faz o Time Control, a gente vai fazer um Live agora.

Então, voltando a pergunta...Eu não sou só Dj, sou promoter de festas também. Já até fiz algumas festas, fui produtor, mas hoje eu estou como promoter, mais assessorando festas de outras pessoas do que fazendo as minhas...o que eu prefiro, pois fazer festa é muita dor de cabeça, muita responsabilidade... como eu sou uma pessoa muito ansiosa, eu passo mal quando faço festa, na semana da festa fico doidinho. Então eu prefiro não mais passar por isso e trabalhar na festa de outras pessoas.


P > Algumas pessoas se perguntam se realmente existe uma cena eletrônica na cidade, qual sua opinião?

D.G >
Na minha opinião existe sim, como o Animal mesmo falou no seu blog sobre isso...Eu concordo que a cena é conturbada, de fases...Tem fase que tá todo mundo beleza, unido, mas ai tem vezes que todo mundo briga é maior esculhambação, festa em cima de festa, um querendo atropelar o outro...Mas eu acho que existe cena porque já tem muita gente trabalhando com isso, muito público certo, a galera que sempre vai e alimenta as festas, que está formando opinião, pesquisa, comenta na internet....

P > Por estar no centro das produções e eventos relacionados a música eletrônica você já foi alvo de muitas críticas, sendo até atacado publicamente e apontado como responsável de algumas coisas negativas...Como é a tua recepção desses fatos?

D.G
>
Agora está bem tranqüilo, mas teve uma fase muito conturbada, na qual a galera estava caindo em cima mesmo de mim, só que eles tinham os motivos deles e eu também tinha os meus motivos pra estar agindo da forma que estava. Nada é por acaso, ninguém quer prejudicar ninguém do nada, sem motivo. Todas as minhas ações foram reações de alguma coisa que tinham feito pra mim e que eu não tinha gostado. Daí eu retrucava e a galera caía em cima de mim. Eu acho também que pelo fato de ser o Dj de mais destaque na cena, o mais ativo, que toca em mais festas, acabei me tornando o alvo principal. Mas agora tá tranqüilo.

P > Porque você acha que mudou essa postura das pessoas com relação a você?

D.G
> Eu acho que a maioria cansou desse negócio de um estar atacando o outro, rolou tanto stress, rolou uma guerra na cena e eu acho que os dois lados da guerra viram que só tinham a perder e foram se acalmando, até que hoje está tudo em paz. Não precisa estar se ajudando, mas se ficar cada um na sua fica tudo bem, acho que hoje está bem massa do jeito que está.

P > O que você prevê pro futuro da cena?

D.G
> Sinceramente pra mim é uma caixinha de surpresas, não arrisco dar um palpite sobre isso, eu espero e torço muito que melhore e cresça cada vez mais, pra que continue esse clima de paz, cada um na sua produzindo, se ajudando se possível, mas não arrisco dizer como vai estar daqui a um tempo.

Sobre sons, eu vejo que está rolando uma evolução, a galera está abrindo a cabeça pra sons novos, coisa que não rolava, agora já está rolando mais festas, eu espero que tenha mais festas, mais público pra todos os estilos e é isso...

P > Percebo que você é um Dj que leva público as festas, já chegando a existir um número expressivo de pessoas que só vai a festas que você venha a tocar. Como é o teu feed back com o seu público?

D.G
> É gratificante saber que você tem uma certa importância, mas como eu te falei, estou colhendo o que eu plantei. Ralei muito pra chegar até aqui, foi um processo, já faz muito tempo que estou nessa, como te disse, larguei tudo na minha vida pra viver em função disso. Abri mão de estudar, de fazer outras coisas e até ganhar mais dinheiro pra viver disso, porque isso é o que eu realmente gosto de fazer. Hoje estou muito feliz por estar dando certo e ter esse reconhecimento, acho que é mais do que merecido por todo meu esforço, já passei por muita ralação, muita coisa ruim...

P > Não deve ter sido fácil tomar essa decisão de parar de estudar e pá?

D.G
> Nossa foi muito difícil...quando eu decidi parar de estudar pra viver de música eu fazia o curso de Publicidade e Propaganda, estava no quarto semestre. Pó mexeu muito com minha cabeça, aquele lance da dúvida se vai dar certo, se eu to fazendo a coisa certa. Tem o lance dos pais também né!? De convencer os pais que está fazendo a coisa certa. Claro que seus pais querem que você continue estudando, rola aquela pressão...Hoje em dia está tão massa que meus pais não cobram mais isso, eles viram que está dando certo e enxergam que eu estava certo.

P > O que ta faltando pro trabalho autoral de E-music tomar mais corpo no Ceará?

D.G
> Acho que um problema daqui é que eu não vejo um curso de produção musical legal, pra falar a verdade, se tem, eu nem sei. Eu vejo sempre gente perguntando – Pó não tem nenhum curso bacana de produção? ...Isso poderia aumenta o numero de projetos autorais. Acho que a cena está defasada sim de projetos locais.

P > Qual é a reação dos públicos de outros estados em relação ao seu som? O que você percebe?

D.G
> A galera tem recebido o Groove Machines muito bem, o único local que a gente não gosta muito de tocar é em Teresina, apesar da gente tocar lá mais do que outros cantos...assim, não que a gente não goste de tocar, mas lá é totalmente diferente daqui.
A pista lá é muito parada, a galera lá parece que mais escuta do que dança, como somos acostumados com o público daqui, onde a galera ferve, ai você fica meio que se sentindo mal por a galera não dançar tanto, fica achando que não estão gostando. Já em Natal, São Luis...a gente tocou esses dias em Recife, nossa lá a galera dança muito, ferve na pista...então acho que a resposta está sendo boa.


P > As festas aqui estão devendo pra alguma dessas do Nordeste?

D.G
> Com certeza a cena aqui e as festas estão no nível Top Nordeste, acho que se tiver algum lugar como aqui, é Recife. Nunca fui a Salvador, ai não posso falar. O nível profissional aqui está altíssimo, é difícil vim um Dj de fora e tocar muito melhor que os daqui, os Dj’s locais são muito, muito, muito bons.


P > Esses dias o Lucas Pinheiro fez uma privê de Tecno, uma parada até que as pessoas cobram. O que fez com seus vinis, você ainda tira um som na bolacha?

D.G
> Quando eu larguei o Techno, a princípio eu não ia largar, pretendia conciliar os dois. Só que aconteceu o seguinte, a galera fanática por Techno começou a me alfinetar pelo fato de começar a tocar Trance, isso me desestimulou de um jeito, que eu cheguei a falar – Não, eu não quero mais tocar Techno...dai eu me desfiz dos meus toca-discos e da maioria dos discos.

Esses dias teve até uma festa que me convidaram pra tocar, foi uma exceção eu tocar Techno e eu fiquei a fim de tocar porque que tinha muito tempo que não tocava. Como eu não queria tocar só musicas velhas, eu fiz o que, comprei músicas novas pela internet, mas comprei em digital e não em vinil. É muito caro comprar disco, demora pra chegar, tem o risco de ficar preso na alfândega e você pagar um imposto alto.

P > Pra finalizar, adianta as últimas e as novidades do Diego Grecchi...

D.G
> O que eu tenho pra contar é o Live que se chama Disturbed e vai ser lançado na Liquid Sky, dia 15 de novembro, uma festa que terá Xérox Ilumination e promete muito. A outra novidade que não é mais tão novidade é que estou curtindo muito low bpm. Tipo: minnimal, techouse, prog, esses estilos mais lentos que e eu estou cada vez mais estigado para tocar. Inclusive toquei no Ceara Music e vou tocar na pista alternativa da Liquid Sky esse set lento.

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Para escuta ro som do rapaz...

2 comentários:

jor disse...

pARABENS PELA ENTREVISTA MATHEUS GOSTEI MUITO BJUS

jor disse...

Parabens pela entrevista matheus gostei muito